O excerto exprime a opinião de Maria Keil (grande pintora do século XX, que já fez azuleijo, e foi aluna nas Belas Artes, nasceu em 1914 e morreu em 2012).
Cá vai o depoimento dela:
Maria Keil
Gosto de morar na freguesia das Mercês. Moro cá há 16 anos. Talvez não
seja o tempo suficiente para conhecer tudo o que em minha volta o sítio
tem para me dar a conhecer, mas o que já
me deu é suficiente para gostar de viver aqui. Subindo uns metros de
rua entro no jardim do Príncipe Real. É uma fronteira, um mundo.
Descendo no sentido oposto, as ruas vão-me envolvendo e sinto-me a fazer
parte da Freguesia. É um encantamento, como se todos ali se
conhecessem. E conhecem. Somos todos vizinhos uns dos outros.
O que é ser vizinho ?
É sorrir-lhe, dizer-lhe que faz frio ou calor, que o autocarro demora. É dizer mal do autocarro que demora. Entrar e ficar a conversar com o vizinho e esquecer que demorou. Talvez isto aconteça em toda a cidade e em todas as outras freguesias, mas é aqui que estas coisas me acontecem e é aqui que me sinto em casa. Gosto das Mercês.
É sorrir-lhe, dizer-lhe que faz frio ou calor, que o autocarro demora. É dizer mal do autocarro que demora. Entrar e ficar a conversar com o vizinho e esquecer que demorou. Talvez isto aconteça em toda a cidade e em todas as outras freguesias, mas é aqui que estas coisas me acontecem e é aqui que me sinto em casa. Gosto das Mercês.

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