O Bairro: escolha e justificação
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| Bairro de São Bento |
A
palavra-chave para a construção do conceito de Bairro é “Identidade”. Esta, foi
construída por aqueles a criaram e fizeram parte da história e costumes do
bairro, e por aqueles que hoje em dia fazem para manter todos os princípios,
mas que também incentivam a criação de novos projetos e estimulem a vida no
bairro.
Bairro
é mais do que um local de residência. Existe o café mais frequentado, o mercado
ou mercearia mais famoso e o jardim com os típicos bancos de madeira, onde se
convive de dia e de noite. O bairro é um espaço de cumplicidade, amizade e
tradição. É importante reconhecer que a identidade do bairro é a sua essência,
e que por mais que sejam os novos projetos de reabilitação da sua vida
bairrista, nunca deve ser perdida. Este conceito está sintetizado na frase
retirada do texto introdutório da revista municipal “Lisboa” de Janeiro de 2015
“Os bairros deitam-se à noite sobre o seu passado, mas devem saber erguer-se de
manhã para o seu futuro”.
No
âmbito do Projeto 01, elegemos 3 bairros para conhecer: Graça, Bairro da
Grandela e São Bento. Durante as nossas visitas aos bairros, conversámos com
moradores e comerciantes, percorremos várias ruas e entrámos em vários
estabelecimentos de comércio. Tudo isto, permitiu-nos absorver melhor o
conceito de bairro.
A
Graça é especialmente conhecida pelos 2 miradouros e pela igreja. A maior parte
das pessoas com quem falámos, sabiam apenas referir isso quando as abordávamos.
Não sentimos muito o ambiente de bairrista porque os moradores em si eram pouco
dados, não sabiam muito o que dizer sobre a zona e acima de tudo diziam que
“está tudo muito diferente”. Mesmo assim, não souberam dizer-nos bem como era a
Graça. Em algumas pessoas, notámos também uma certa desilusão e tristeza da
zona da Graça atualmente: sem atividades culturais (além das marchas), cada vez
mais multicultural (pela proximidade ao Martim Moniz) e cada vez menos pontos
de comércio. Soubemos de uma senhora, dona da Havaneza Bandeira no largo
principal, que poderia saber alguns pormenores interessantes da zona, mas que
infelizmente não estava disponível. Além disto, o acesso é difícil. Ficámos com
a ideia de que a Graça está muito condicionada ao Turismo, pela presença dos
miradouros e da igreja. Por estas razões, não optámos pela Graça para o nosso
projeto.
Apesar
de o Bairro da Grandela nos ter despertado interesse pela sua fundação
histórica, achámos que era um bairro com pouca vida: sem associações, pouca
gente na rua e poucos locais de comércio. O conceito de bairro perdeu-se um
pouco, talvez porque a criação do bairro em si, foi forçada, de modo a alojar a
classe operária da Fábrica Grandela, no século passado. Assim, também não
escolhemos este bairro.
Aquele
que chamou mais a nossa atenção foi definitivamente São Bento. Por isso,
escolhemo-lo como alvo de análise do nosso projeto. Apanhando o elétrico 28 no
Chiado, o acesso é rápido e fácil. Logo no primeiro sítio em que entrámos, a
Associação José Afonso, fomos muito bem recebidos e foi-nos dada muita
informação. Apesar de estar próximo do Bairro Alto, os moradores afirmam que o
bairro de São Bento é muito diferente, seja dia ou noite: mais calmo, pacato,
típico e menos multicultural. As pessoas revelaram-se muito prestáveis e
simpáticas durante as conversas e, inclusivamente, felizes pela nossa
iniciativa de saber mais sobre o bairro. Encontrámos também uma associação que
organiza atividades culturais ocasionalmente, mas que infelizmente estava
encerrada.
Em breve, iremos entrar em contato com a mesma. Outros aspetos
interessantes foram a paisagem urbana, os inúmeros antiquários da Rua de S.
Bento, os bolos de noz, o jardim da Praça das Flores e as várias lojas que
abriram recentemente na zona (cafés, restaurantes, lojas gourmet, geladarias,
etc) e que adotam um design com um toque vintage e que se adapta ao ambiente
antigo e típico do bairro lisboeta. Ou seja, adotam um conceito moderna à
estética urbana do bairro. Inclusivamente, entrámos numa loja de vinhos
recente, gerida por um português, uma alemã e um irlandês, que partilharam
connosco a sua vontade de abrir a loja em S. Bento.
Afirmam que é um bairro
muito diferente de Alfama ou da Mouraria, que já estão invadidos de turistas.
Enquanto que ali, existem alguns turistas, mas há mais o espírito de bairro, ou
seja, mais sossego e cumplicidade entre moradores. Além de tudo isto, existe
uma dimensão histórica, devido ao antigo Mosteiro de São Bento (atual sede do
Parlamento) e à Casa de Amália Rodrigues. O facto do edifício do Parlamento se
encontrar ali perto, pela sua monumentalidade e pureza arquitetónica, implica,
indiretamente, a transmissão de uma boa imagem da parte da zona de S. Bento. No
meio de todo o fascínio que S. Bento e os seus moradores nos despertaram, não
nos ocorreu nenhum aspeto negativo a aplicar ao bairro.

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