terça-feira, 3 de março de 2015

TEXTO#01

O Bairro: escolha e justificação

Bairro de São Bento

A palavra-chave para a construção do conceito de Bairro é “Identidade”. Esta, foi construída por aqueles a criaram e fizeram parte da história e costumes do bairro, e por aqueles que hoje em dia fazem para manter todos os princípios, mas que também incentivam a criação de novos projetos e estimulem a vida no bairro.
Bairro é mais do que um local de residência. Existe o café mais frequentado, o mercado ou mercearia mais famoso e o jardim com os típicos bancos de madeira, onde se convive de dia e de noite. O bairro é um espaço de cumplicidade, amizade e tradição. É importante reconhecer que a identidade do bairro é a sua essência, e que por mais que sejam os novos projetos de reabilitação da sua vida bairrista, nunca deve ser perdida. Este conceito está sintetizado na frase retirada do texto introdutório da revista municipal “Lisboa” de Janeiro de 2015 “Os bairros deitam-se à noite sobre o seu passado, mas devem saber erguer-se de manhã para o seu futuro”.
No âmbito do Projeto 01, elegemos 3 bairros para conhecer: Graça, Bairro da Grandela e São Bento. Durante as nossas visitas aos bairros, conversámos com moradores e comerciantes, percorremos várias ruas e entrámos em vários estabelecimentos de comércio. Tudo isto, permitiu-nos absorver melhor o conceito de bairro.
A Graça é especialmente conhecida pelos 2 miradouros e pela igreja. A maior parte das pessoas com quem falámos, sabiam apenas referir isso quando as abordávamos. Não sentimos muito o ambiente de bairrista porque os moradores em si eram pouco dados, não sabiam muito o que dizer sobre a zona e acima de tudo diziam que “está tudo muito diferente”. Mesmo assim, não souberam dizer-nos bem como era a Graça. Em algumas pessoas, notámos também uma certa desilusão e tristeza da zona da Graça atualmente: sem atividades culturais (além das marchas), cada vez mais multicultural (pela proximidade ao Martim Moniz) e cada vez menos pontos de comércio. Soubemos de uma senhora, dona da Havaneza Bandeira no largo principal, que poderia saber alguns pormenores interessantes da zona, mas que infelizmente não estava disponível. Além disto, o acesso é difícil. Ficámos com a ideia de que a Graça está muito condicionada ao Turismo, pela presença dos miradouros e da igreja. Por estas razões, não optámos pela Graça para o nosso projeto.
Apesar de o Bairro da Grandela nos ter despertado interesse pela sua fundação histórica, achámos que era um bairro com pouca vida: sem associações, pouca gente na rua e poucos locais de comércio. O conceito de bairro perdeu-se um pouco, talvez porque a criação do bairro em si, foi forçada, de modo a alojar a classe operária da Fábrica Grandela, no século passado. Assim, também não escolhemos este bairro.
Aquele que chamou mais a nossa atenção foi definitivamente São Bento. Por isso, escolhemo-lo como alvo de análise do nosso projeto. Apanhando o elétrico 28 no Chiado, o acesso é rápido e fácil. Logo no primeiro sítio em que entrámos, a Associação José Afonso, fomos muito bem recebidos e foi-nos dada muita informação. Apesar de estar próximo do Bairro Alto, os moradores afirmam que o bairro de São Bento é muito diferente, seja dia ou noite: mais calmo, pacato, típico e menos multicultural. As pessoas revelaram-se muito prestáveis e simpáticas durante as conversas e, inclusivamente, felizes pela nossa iniciativa de saber mais sobre o bairro. Encontrámos também uma associação que organiza atividades culturais ocasionalmente, mas que infelizmente estava encerrada. 
Em breve, iremos entrar em contato com a mesma. Outros aspetos interessantes foram a paisagem urbana, os inúmeros antiquários da Rua de S. Bento, os bolos de noz, o jardim da Praça das Flores e as várias lojas que abriram recentemente na zona (cafés, restaurantes, lojas gourmet, geladarias, etc) e que adotam um design com um toque vintage e que se adapta ao ambiente antigo e típico do bairro lisboeta. Ou seja, adotam um conceito moderna à estética urbana do bairro. Inclusivamente, entrámos numa loja de vinhos recente, gerida por um português, uma alemã e um irlandês, que partilharam connosco a sua vontade de abrir a loja em S. Bento. 
 Afirmam que é um bairro muito diferente de Alfama ou da Mouraria, que já estão invadidos de turistas. 
 Enquanto que ali, existem alguns turistas, mas há mais o espírito de bairro, ou seja, mais sossego e cumplicidade entre moradores. Além de tudo isto, existe uma dimensão histórica, devido ao antigo Mosteiro de São Bento (atual sede do Parlamento) e à Casa de Amália Rodrigues. O facto do edifício do Parlamento se encontrar ali perto, pela sua monumentalidade e pureza arquitetónica, implica, indiretamente, a transmissão de uma boa imagem da parte da zona de S. Bento. No meio de todo o fascínio que S. Bento e os seus moradores nos despertaram, não nos ocorreu nenhum aspeto negativo a aplicar ao bairro.

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