POTLATCH
Para a cerimónia da entrega do Potlatch queríamos mostrar a essência do Bairro de São Bento. Sem nenhum objeto característico ou tradicional. Supostamente os bairros caracterizam-se pela sua história ou costumes. Mas São Bento, não tem nada de tradicional: sente-se verdadeiramente o espírito bairrista, não pelos bens materiais, pelos objetos que lhe pertencem, mas sim pelas pessoas que o habitam e que lhe dão vida. Essa vida, centra-se na Praça das Flores. É o local por onde passam moradores, turistas, jovens e visitantes; onde acontecem as coisas mais bizarras; onde há energia, mesmo que todos os idosos estejam nos bancos calados a olhar para o chão. É o centro do bairro e o local onde se dão todas as fusões, relações e acontecimentos.
Deste modo, queríamos oferecer parte dessa essência. Assim, criámos 14 pequenos livretos que consistem numa folha A4 branca dobrada ao meio. Cada um deles contém no seu interior, um pedaço de papel autocolante agarrou marcas dos objetos da Praça das Flores em que esteve colado. Com isto, não estamos a oferecer uma pedra da calçada ou um banco de jardim, mas sim o que está para além do objeto e muitas vezes nos passa despercebido, ou seja, a essência do bairro. O autocolante agarra os detritos do objeto, tornando-se assim, não numa amostra da sujidade do local, mas sim numa amostra de “nada”, do invisível do bairro: a sua identidade. Cada autocolante é acompanhado por duas fotografias do sítio de onde foi retirada a amostra. Para transmitir este conceito, inserimos em todos os potlatch a famosa frase de Antoine de Saint-Exupéry “O essencial é invisível aos olhos” e ainda um excerto do poema “Às vezes, em dias de luz perfeita e exata, “ de Fernando Pessoa.
“A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!”
Fernando Pessoa



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